Durante três meses a equipe da produtora Next Level Pictures esteve no Dubai e Tailandia gravando um filme Indiano.
Eles foram contratados para fazer a direção de fotografia das cenas no Dubai e Tailândia para dar ao filme uma aparência mais “nervosa”, combinado com o olhar (a beleza) dos filmes tradicionais do sul da Índia.
Trazer um grupo de diretores de fotografia dos Estados Unidos para uma grande produção na Índia foi algo nunca antes realizado e eles ficaram bastante animados em fazer parte deste projeto. Este tambem foi o primeiro filme indiano a ser filmado com HDSLR, por isso precisava de uma equipe qualificada e especializada. Com isso eles conseguiram colocar mais seis pessoas na equipe americana: um operador de steadicam, primeiro assistente de camera,DIT, operador da camera B, iluminador e um chefe maquinista. Ter o iluminador e um chefe maquinista da sua confiança foi muito importante para eles pois a equipe do filme era composta por cerca de 25 indianos, 10 tailandeses, e 8americanos, então você pode imaginar a dificuldade de comunicação. Até ao final das filmagens, todas as equipas se comunicavam muito bem com uma mistura de Inglês quebrado, língua de sinais e expressões faciais.
O cronograma de filmagem foi o seguinte:
05/10 – 11/20 filmaram em Dubai.
11/20 – 12/15 filmaram em Pattaya e Khao Yai, na Tailândia.
Para realizar este trabalho a Next Level Pictures tive o apoio das marcas de acessórios: Kessler Crane, Letus e Zacuto (coisa que deviam seguir aqui no Brasil).

Para que se saiba
Cameras Usadas: Canon 7D e 5D mark II

Infelizmente ainda não ha um teaser do filme, mas penso que vale a pena ver as fotos:

O cinema indiano não é só Bollywood, ao contrário do que muitos pensam. Enquanto a Índia produz anualmente quase mil filmes, Bollywood é responsável por cerca de 400 a 500 filmes desse total, ou seja, perto da metade. E então onde é feita a outra metade dos filmes lançados na Índia todos os anos?

Pra começar, é muito importante que se saiba que oficialmente há na Índia mais de vinte línguas. Basicamente, cada um dos 28 estados indianos possui uma língua própria, com cultura própria. E daí então começamos a entender como é que a produção cultural do país se divide.

Bollywood é exclusivamente a indústria de filmes em língua hindi, língua essa que é falada em alguns estados do norte da Índia, incluindo Nova Delhi. Como o norte da Índia é o que possui a maior densidade populacional do país, o hindi é então a língua falada por mais pessoas por lá, o que em parte justifica a maior fama de Bollywood. Mas uma curiosidade interessante é o fato de Bollywood estar sediado em Mumbai, capital do estado do Maharashtra, cuja língua é o marathi, não o hindi. Mas sendo Mumbai a capital financeira do País, onde tradicionalmente a elite indiana se estabeleceu, foi lá que Bollywood foi buscar suas bases, pra nunca mais sair.

Mas a segunda mais importante indústria de cinema da Índia é Kollywood, baseada em Chennai, capital do estado do Tamil Nadu, cuja língua é o tamil. A importância da indústria tamil não está somente na quantidade de filmes lançados por ano (cerca de 200 a 300 produções), mas também no orçamento de suas grandes produções e na qualidade de alguns de seus cineastas. Hoje em dia, é comum Bollywood realizar refilmagens de produções de Kollywood, além de diretores tâmeis serem escalados pra trabalharem em produções de Bollywood. Ou então, outra coisa que vem sendo cada vez mais comum é a filmagem concomitante de um mesmo filme em hindi e em tamil, já que na Índia não há o costume de legendas. O ganhador do Oscar de melhor trilha sonora e melhor música pelo filme Slumdog Millionaire (2008), A.R. Rahman, é atualmente o mais importante músico do cinema indiano, tendo na verdade surgido em Kollywood. Mas hoje, mesmo antes da fama internacional, um filme de Bollywood com trilha sonora de Rahman é absolutamente sinônimo de sucesso pro filme.

Mas não paramos por aqui. A Índia ainda possui algumas outras indústrias significativas de produções cinematográficas. Em terceiro lugar em número de produções temos Tollywood, a indústria de língua telugu, do estado do Andhra Pradesh, vizinho ao Tamil Nadu. Em seguida temos Sandalwood, a indústria em língua kannada, do Karnataka, e Mollywood, a indústria malayalam, do estado do Kerala. Essas quatro indústrias citadas correspondem aos quatro estados do sul da Índia e que representam o maior contraponto a Bollywood. Em muitas cidades dessa região, por exemplo, nenhum filme de Bollywood é exibido; o povo assiste somente os filmes realizados em suas próprias línguas.

E saindo do sul do país, no próprio Maharashtra, onde fica Bollywood, temos a tímida e reprimida indústria de cinema marathi, que acabou fincando bases na cidade de Pune, a segunda mais importante do estado. Lá pro leste da Índia temos o que talvez seja o maior celeiro de produções do cinema paralelo indiano, ou seja, o cinema de arte, no estado do West Bengal. Nativos da língua bengali, o estado cuja capital é Calcutá viu nascer dali mestres do cinema mundial, como Satyajit Ray, na década de 50. E o legado de Satyajit perdurou décadas, contaminando diretores contemporâneos bengaleses, como Rituparno Ghosh e Aparna Sen. Outro importante celeiro de filmes de arte é o já citado estado do Kerala.

Por fim, há também o estado do Punjab com seu Punjwood, no noroeste do país, fronteira com o Paquistão. Os filmes punjabi, embora poucos se comparados com o restante da produção do país, são ainda expressivos no contexto da produção cultural do estado.

O restante dos estados e das línguas faladas por vezes em pequenas comunidades escondidas são também fontes de produções cinematográficas, mas não chegam a se caracterizar como indústrias.
Esta ultima parte retirei do Bollywood Brazil