Gravado com a Canon 5D mark II, em apenas um take(segundo afirmou), longa-metragem participou da Quinzena dos Realizadores em Canes.
Uma Canon 5D mark II, US$ 6 mil e quatro dias de filmagem foram suficientes para o uruguaio Gustavo Hernández (na foto) filmar La Casa Muda, longa experimental de terror escolhido para participar do Festival de Cannes. Enquanto rodava a película com uma equipe de não mais de 15 pessoas, Hernández se conformava em “fantasiar” com a estreia de seu filme em algum cinema do Uruguai. Agora, seis meses depois, ele foi selecionado para participar da Quinzena dos Realizadores e embarca dia 15 de maio rumo à riviera francesa.

“La Casa Muda” foi produto de uma limitação orçamentária”, disse Hernández em entrevista à Agência Efe. Os US$ 6 mil que um produtor lhe ofereceu para estrear como diretor o obrigaram a pensar em um longa-metragem que precisasse de “pouca gente, poucos recursos e que pudesse ser filmado em pouco tempo”, explicou Hernández, que até então tinha dirigido apenas videoclipes, anúncios para televisão e curtas-metragens. O gênero de terror não era o que mais lhe atraía, mas após “várias conversas com amigos” uma idéia parecia solucionar seus problemas econômicos: oferecer “medo real em tempo real”.

“Se tratava de fazer, com uma equipe mínima, uma história mínima, e então pensamos em contar o que acontece com qualquer pessoa quando sentimos medo, quando temos todos os sentidos em alerta e os segundos podem parecer horas”, relatou.

Inspirado em uma história real da década de 1940, quando dois corpos foram encontrados mutilados em uma casa de campo no norte do Uruguai, La Casa Muda foca os últimos 74 minutos das vítimas do assassinato. “Queríamos que o espectador vivesse as emoções sem enganá-lo com vários planos e contraplanos, e decidimos rodá-la em uma só tomada”, contou Hernández.

Usar uma câmera de fotos emprestada de um amigo porque o orçamento “não dava nem para alugar uma” permitiu ao diretor empregar “menos recursos e menos gente”. A alta sensibilidade óptica do aparelho, utilizado na função vídeo, permitiu filmar todo o longa com a iluminação de apenas “duas lanternas e um ‘tiquinho’ de luz em cada quarto”. Ao mesmo tempo, a câmera escolhida (uma Cannon 5D), especialmente leve e compacta, dava ao diretor maior mobilidade para gravar e chegar a lugares onde uma câmera de vídeo ou de cinema convencional não entra. O resultado é um “filme experimental, mas contado em uma linguagem cinematográfica muito clássica”, explicou.

Mesmo assim, Hernández tem consciência que a maneira incomum pela qual La Casa Muda foi rodado é em grande parte a razão pela qual o júri da Quinzena dos Realizadores, a seção mais experimental do Festival de Cannes, selecionou a produção. “Até nisso tivemos uma sorte enorme, porque só chegamos a Cannes graças a um jurado do festival que viu nosso trailer pela internet e nos escreveu um e-mail sugerindo apresentá-lo”, lembrou.

É que os blogs e sites de cinema de terror, pelos quais o trailer circulou durante meses, foram “fundamentais” para o êxito do filme, que até algumas semanas atrás nem sequer estava acabado e que por enquanto só foi visto por “umas três ou quatro pessoas” alheias à produção. “Os internautas começaram a se interessar por La Casa Muda quando leram sobre como o filme estava sendo feito, do que tratava e toda a história que tinha por trás”, detalhou o diretor. No entanto, Hernández tem certeza de que eles não vão se decepcionar, porque no final “tudo no filme terminou acontecendo para atingir dois objetivos básicos: entreter e assustar”, afirma.

Trata-se de uma das raras apostas latino-americanas ao cinema de gênero e, em especial, ao terror psicológico. Selecionada para a Quinzena de Realizadores, já despertou o interesse de distribuidores internacionais, além de vários comentários positivos no festival francês.

Saiba mais na entrevista exclusiva de Gustavo ao La Latina e ao LatAm cinema.

Por Camila Moraes

O que significa pra você a oportunidade de estrear seu primeiro filme em um festival de tanta visibilidade como o de Cannes?

Realmente nunca sonhamos em estrear o filme em Cannes. Esta oportunidade transborda qualquer expectativa e claro que significa algo muito importante na carreira de um diretor.

Você comentou que a ideia para “La casa muda”, que é um filme de terror psicológico, surgiu da limitação do orçamento. O que o motivou a enquadrar seu primeiro filme no cinema de gênero?

O produtor de “La casa muda” é um grande fã de terror, e ambos queríamos fazer um filme – ainda que, confesso, eu não tinha esse gênero em mente. Depois de nos reunirmos várias vezes, chegamos a um acordo, mas com a condição de experimentar o máximo possível, quebrando alguns esquemas de produção e de realização. Ao longo das minhas experiências de trabalho, procurei desafios para encontrar meu próprio pulso narrativo e experimentar a linguagem audiovisual. Simplesmente fui motivado pela liberdade criativa que meu sócio me ofereceu para debutar com um longa-metragem. Acho que o segredo de qualquer diretor é tratar de ser honesto com o trabalho e com sua visão pessoal.

Fazer o filme em plano-seqüência é outro risco interessante que você assumiu e que se tornou uma característica importante da história. Por que evitar os cortes?

Estabelecemos um conceito muito básico: que o espectador experimente o medo em tempo real. Depois desse parâmetro, tínhamos as coisas mais claras. Também chegamos à conclusão de que a técnica não poderia cegar a história, mas a linguagem tinha que ajudar os personagens e as situações de forma invisível. Isso foi muito importante, porque não gosto dos filmes que fazem alardes de seu próprio virtuosismo técnico. Sempre estou do lado do espectador comum, que paga entrada para se entreter e se assustar.

Qual foi a trajetória de “La casa muda” até chegar à Quinzena de Realizadores?

O caminho do filme começa em Cannes.

O que você espera para ele passado o agito do festival?

Que seja visto pelo máximo de pessoas possível. Obviamente, espero que quem veja “La casa muda” em Cannes encontrem nele um filme pessoal, mas entretido, que cumpra sua primeira função básica: assustar. Espero que as pessoas possam apreciar não só os sobressaltos, mas também a provocação de sensações e climas ao longo da história.

Vocês solucionaram dificuldades de produção de uma forma criativa. Agora se aproxima a fase de distribuição, que muitos acreditam ser hoje o principal problema do cinema mundial. O que você opina a respeito?

É totalmente verdade. Nós tivemos sorte e somos uma exceção ao problema, porque quando subimos o trailer na internet, várias empresas mundiais entraram em contato conosco, interessadas em distribuir o filme. Apareceram outras mais quando ele foi selecionado para Cannes. Finalmente, pudemos fechar contrato com uma distribuidora muito importante da Europa, que se encarregará das vendas mundiais.

Qual é sua opinião sobre o cinema que se faz hoje na América Latina?

O panorama do cinema latino-americano vem crescendo em quantidade e qualidade. Temos uma grande variedade de filmes que ganham prêmios em Berlim, Cannes e até no Oscar. Isto é, há um cinema de autor e, ao mesmo, um cinema comercial que se mistura com grandes produções mundiais. O cinema que prefiro é sempre o da busca pessoal, em seus acertos e erros. Gosto quando um filme me surpreende em algum ponto, seja no roteiro, na arte, na fotografia ou na atuação. Acho que há diretores excepcionais (como Pablo Trapero na Argentina) que sempre superam sua aposta criativa e pessoal a cada filme que fazem. São um orgulho para o cinema latino.

Quais são seus próximos projetos?

Temos três, incluindo outro de terror. Mas ainda é cedo para falar deles, porque ainda está crescendo essa criatura que acabamos de parir.

“La Casa Muda” tem participado em muitos festivais , Quem vive ou queira ir a São Paulo, pode ver este filme no 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que acontece de 12 a 18 de julho no Memorial da América Latina, Sala Cinemateca BNDES, Cinusp, MIS e Cinesesc, sempre com entrada franca.

Site:
http://www.lacasamuda.com/
Com:
Florencia Colucci, Gustavo Alonso y Abel Tripaldi
Argumento por:
Oscar Estévez basado en una historia de Gustavo Hernández y Gustavo Rojo
Dirigido por:
Gustavo Hernández
Produzido por:
Gustavo Rojo
Contornos do enredo:
“La casa muda” es un film independiente distinto en su género. Es la primera pelicula latinoamericana en realizarse con una cámara fotográfica profesional. y es la primera pelicula de terror en el mundo que descubre el miedo sin trucos, en una sola secuencia de 74 minutos.

2 COMENTÁRIOS

  1. a pergunta que não quer calar é afinal como eles conseguiram fazer um plano sequencia de 79minutos se as hdslrs filmam em no maximo 12min devido a o formato de fortação fat 32!! existe outro formatação que possibilite extender esse tempo de filmagem continua?? ou será que usaram algum modo de ligar no computador e transferir os dados?